terça-feira, 4 de novembro de 2014

1- Um Miminho


1- Um Miminho

Olá! Não vou dizer-te, ainda, o meu nome.  Digo-te, apenas, que sou um entre irmãos e que te vou dar a conhecer a história que mais pedíamos à nossa mãe na hora de… deitar? Não. Na hora de querermos ouvir a voz da nossa mãe a contar esta história. Podia ser na hora de deitar, de acordar, de comer, de brincar, de tudo o que significasse estar com a nossa mãe: senti-la, ali, próxima, presente, connosco. Todos no nosso ninho. Todos, menos um. Bem, menos um não; porque esse também estava, só que de outra forma.

Trata-se da história que mais pedíamos à nossa mãe para nos apaziguar. Não ouviste mal. É esse o termo: apaziguar. Sabes o que é apaziguar? Não ? Vai lá, ao dicionário, descobrir. Vai: eu espero. A sério. Espero mesmo.

 (…)

Demoraste. Foste ao dicionário, livro mesmo, ou ao dicionário na internet? A nenhum? Ah, sei, perguntaste ao avô. Isso é batota, mas não importa. Agora sabes um pouco mais do que sabias antes. Os que vão à frente na idade são como dicionários, conhecem melhor do que eu ou do que tu isto que é a vida; devemos ouvi-los, escutá-los, atentamente. É provável que já tenham percorrido os caminhos que estamos a atravessar agora.

Apaziguar: há momentos na vida em que só a voz de alguém muito próximo nos apazigua, nos aquieta, nos acalma. E pode ser a voz de um familiar, de um amigo, até de um estranho que nos faça sentir como se fôssemos do sangue.

 Contudo, nada se compara ao tom de voz de uma mãe, mesmo quando está zangada. E a nossa mãe é dessas: das que se zanga. Oh, como se zanga! Quando acontece, só nos apetece fugir! A verdade seja dita: a santa tem sempre motivos p’ra se zangar…

Conceição Sousa in " Em Busca da Flor de Mil Cores 1"

 

 

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