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Um Miminho
Olá! Não vou dizer-te, ainda, o meu
nome. Digo-te, apenas, que sou um entre
irmãos e que te vou dar a conhecer a história que mais pedíamos à nossa mãe na
hora de… deitar? Não. Na hora de querermos ouvir a voz da nossa mãe a contar
esta história. Podia ser na hora de deitar, de acordar, de comer, de brincar,
de tudo o que significasse estar com a nossa mãe: senti-la, ali, próxima,
presente, connosco. Todos no nosso ninho. Todos, menos um. Bem, menos um não;
porque esse também estava, só que de outra forma.
Trata-se da história que mais
pedíamos à nossa mãe para nos apaziguar. Não ouviste mal. É esse o termo:
apaziguar. Sabes o que é apaziguar? Não ? Vai lá, ao dicionário, descobrir.
Vai: eu espero. A sério. Espero mesmo.
(…)
Demoraste. Foste ao dicionário, livro
mesmo, ou ao dicionário na internet? A nenhum? Ah, sei, perguntaste ao avô. Isso
é batota, mas não importa. Agora sabes um pouco mais do que sabias antes. Os
que vão à frente na idade são como dicionários, conhecem melhor do que eu ou do
que tu isto que é a vida; devemos ouvi-los, escutá-los, atentamente. É provável
que já tenham percorrido os caminhos que estamos a atravessar agora.
Apaziguar: há momentos na vida em que
só a voz de alguém muito próximo nos apazigua, nos aquieta, nos acalma. E pode
ser a voz de um familiar, de um amigo, até de um estranho que nos faça sentir
como se fôssemos do sangue.
Contudo, nada se compara ao tom de voz de uma
mãe, mesmo quando está zangada. E a nossa mãe é dessas: das que se zanga. Oh,
como se zanga! Quando acontece, só nos apetece fugir! A verdade seja dita: a
santa tem sempre motivos p’ra se zangar…
Conceição Sousa in " Em Busca da Flor de Mil Cores 1"
Conceição Sousa in " Em Busca da Flor de Mil Cores 1"
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